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A expressiva maioria
dos pacientes com Síndrome do Pânico que procuram o
clínico geral ou especialistas que não o psiquiatra,
podem ser portadores de outros quadros emocionais
associados à essa doença, principalmente de quadros
ansiosos, somáticos e depressivos.
Normalmente são
quadros cheios de sintomas físicos de origem
emocional ou agravados pelas emoções.
O Distúrbio do
Pânico habitualmente se inicia depois dos 20 anos, é
igualmente prevalente entre homens e mulheres,
portanto, em sua maioria, as pessoas que tem o
Pânico são jovens ou adultos jovens na faixa etária
dos 20 aos 40 anos e se encontram na plenitude da
vida profissional.
Normalmente são
pessoas extremamente produtivas, costumam assumir
grandes responsabilidades e afazeres, são
perfeccionistas, muito exigentes consigo mesmas e
não costumam aceitar bem os erros ou imprevistos.
Depois das
primeiras crises de Pânico, por muito tempo os
pacientes recusam o tratamento para esse tipo de
transtorno psicoemocional.
Normalmente
costumam ser pessoas que não se vêem sensíveis aos
problemas da emoção, julgam-se perfeitamente
controladas, dizem que já passaram por momentos de
vida mais difíceis sem que nada lhes acontecesse,
enfim, são pessoas que até então subestimavam quem
sofria de problemas psíquicos.
O mais importante e
mais difícil problema a ser resolvido em relação ao
tratamento da Síndrome do Pânico é, exatamente,
convencer o paciente de que seu problema é emocional
e que tem tratamento.
PACIENTES COM SINTOMAS
ANSIOSOS
Os quadros ansiosos associados à Síndrome do Pânico
podem ser:
1. - Ansiedade Simples e Generalizada
2. - Quadros Fóbicos
2.1 - Fobia Social
2.2 - Fobia Simples
2.3 - Agorafobia
3. - Quadros Obsessivo-Compulsivos
PACIENTES COM
SINTOMAS SOMÁTICOS
Os quadros somáticos associados à Síndrome do Pânico
podem ser:
1 - Dor Psicogênica
2 - Hipocondria
3 - Somatizações (Transtorno Somatomorfo)
Antes de chegar ao
psiquiatra, na maioria das vezes o paciente já
passou por vários especialistas, começando quase
sempre pelo cardiologista, depois pelo neurologista.
É extremamente difícil que ele admita ter um
problema da esfera emocional e, às vezes, até
desejaria que seu problema fosse físico. Isso
tornaria mais fácil justificar para os outros a
natureza de suas queixas e, ficaria mais fácil
também, explicar para si mesmo que, de fato, ele não
é um fraco, que ele não tem frescura, que o que ele
sente realmente é concreto.
Mesmo depois de
parcialmente convencido, o paciente continua ainda a
recusar o tratamento. Agora o problema são os
medicamentos. Uma parte desses pacientes reluta em
usar medicamento devido ao próprio medo ocasionado
pelo Pânico; têm medo dos medicamentos, dos efeitos
colaterais, de tudo. Em seguida, relutam ao
tratamento medicamentoso pelo estigma de quem usa
psicofármacos, aqueles horríveis remédios que
dopam", "que viciam", etc.
O ataque típico de
Pânico tem um início súbito e aumenta rapidamente,
atingindo um pico em geral em 10 minutos acompanhado
por um sentimento de perigo ou catástrofe iminente e
um anseio por escapar. Os 13 sintomas físicos são os
seguintes:
-
1 -
palpitações,
-
2 - sudorese,
-
3 - tremores ou abalos,
-
4 - sensações de falta de ar ou sufocamento,
-
5 - sensação de asfixia,
-
6 - dor ou desconforto torácico,
-
7 - náusea ou desconforto abdominal,
-
8 - tontura ou vertigem,
-
9 - sensação de não ser ela(e) mesma(o),
-
10 - medo de perder o controle ou de "enlouquecer",
-
11 - medo de morrer,
-
12 - formigamentos e
-
13 - calafrios ou ondas de calor.
Os sintomas acima
podem se manifestar com exuberantes sintomas
autossômicos, que são determinados por desequilíbrio
do SNA (Sistema Nervoso Autônomo) e/ou com a
coexistência de Transtornos Psicossomáticos, podendo
afetar os diversos órgãos ou sistemas, conforme a
Lista abaixo.
Cardiologia:
Palpitações, arritmias, taquicardias, dor no
peito
Gastroenterologia: Cólicas abdominais,
epigastralgia, constipação e diarréia
Neurologia: Parestesias, anestesias,
formigamentos, cefaléia, alterações sensoriais
Otorrino: Vertigens, tonturas, zumbidos
Clínica Geral: Falta de ar, bolo na
garganta, sensação de desmaio, fraqueza dos
membros, falta de apetite ou apetite demais
Ginecologia: Cólicas pélvicas, dor na
relação, alterações menstruais
Ortopedia: Lombalgias, artralgias,
cervicalgias, dor na nuca
Psiquiatria: Irritabilidade, alterações
do sono (demais ou de menos), angústia,
tristeza, medo, insegurança, tendência a ficar
em casa, pensamentos ruins
Alguns desses
sintomas estão presentes na crise de Pânico, outros
na crise de Fobia (principalmente Fobia Social),
outros na Dor Psicogênica ou nos Transtornos
Somatomorfos. Vejamos uma lista com a maioria dos
transtornos psicossomáticos (com componente físico),
possivelmente associados ao Pânico.
Como se vê,
trata-se da mesma lista mostrada no tratamento das
depressões atípicas. Isso porque a Depressão Atípica
e a Síndrome do Pânico são, praticamente, da mesma
família psicopatológica.
Havendo necessidade
do tratamento médico, este deve ser duplamente
direcionado: à Depressão e à Ansiedade. A maioria
dos clínicos gerais e especialistas não psiquiatras
têm optado, por várias razões, aos ansiolíticos como
primeira opção medicamentosa.
Entre as razões
dessa escolha estão, principalmente, o hábito e o
desconhecimento do manuseio com antidepressivos,
juntamente com o fato dos ansiolíticos
proporcionarem um efeito imediato, cortando a crise
imediatamente. Entretanto, sabendo que a Depressão
pode estar sendo a base psicofisiológica dos
sintomas de pânico e ansiosos, o mais correto seria
iniciarmos o tratamento com antidepressivos,
normalmente associados aos ansiolíticos na fase
inicial do tratamento.
A existência de
sintomas físicos em pacientes emocionais exige
sempre uma adequada avaliação clínica. Não havendo
confirmação clínica e laboratorial de que as queixas
físicas representam, de fato, algum transtorno
orgânico, estaremos diante de um quadro chamado
Somatiforme. Caso hajam alterações clinicamente
constatadas, como por exemplo uma hipertensão,
taquicardia, úlcera digestiva, etc., estaremos diante
do Transtornos Psicossomáticos associados à Síndrome
do Pânico (veja como
as emoções podem causar transtornos orgânicos
verdadeiros).
O médico deve
sempre orientar o paciente acerca de dois fatos
extremamente importantes; primeiro, que a Síndrome
do Pânico tem cura e, em segundo, que o tratamento é
longo. Apesar dos sintomas desaparecerem
paulatinamente após o primeiro mês de tratamento, a
medicação deve ser continuada por um período longo,
sob o risco dos sintomas reaparecerem caso o
tratamento seja interrompido.
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